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Lezeira - dança cultivada em São Francisco do Piauí ganha reconhecimento nacional com Prêmio Jabuti

Comunidades negras rurais Serrinha e Veredas vêm retomando brincadeira prestigiada pelo maior concurso literário do Brasil

Lezeira da Serrinha | Foto: Francisca Sousa

 Lezeira da Serrinha | Foto: Francisca Sousa

A Lezeira está presente no município de São Francisco do Piauí nas comunidades negras rurais Serrinha e Veredas desde ao menos o início do século 20. Entretanto, há muitas décadas a brincadeira não acontecia. Neste ano, com o I Festival de Cultura Popular de São Francisco do Piauí organizado pela Secretaria de Cultura, sob os auspícios da Prefeitura da cidade, um movimento foi realizado com mestras de Lezeira e hoje esta expressão cultural vem sendo retomada. A Lezeira ganhou destaque nacional com a indicação ao maior concurso de literatura do país, o Prêmio Jabuti, com o livro “Vamô Vadiá Nesta Lezeira”, de Eduardo Pontin e Francisca Sousa. O reconhecimento fortalece ainda mais esse bem cultural, que em São Francisco vem contando com o apoio do poder público para a realização das suas atividades.

Obra vem dando visibilidade a mestras, mestres, comunidades rurais e quilombos do sertão do Piauí

A Lezeira da Serrinha não chegou a ser retratada no livro, pois até então Eduardo e Francisca não sabiam de sua presença nesta região. Convidados pela agente territorial de cultura Mary Quaresma, idealizadora da retomada da Lezeira em São Francisco, os autores estiveram presentes no Festival de Cultura da cidade neste ano e presenciaram a brincadeira sendo revivida.

Na Serrinha, há três Mestras Cantadeiras veteranas. Dona Francisca ainda reluta em participar novamente da Lezeira, talvez por se sentir muito emocionada e por se recordar de seus antepassados. Porém, a cantadeira está presente neste processo de retomada, participando, orientando, puxando a orelha, dizendo o que está certo e o que está errado. Dona Francisca é a guardiã da Lezeira da Serrinha.

Dona Francisca: perfil cuidadoso com a Lezeira da Serrinha | Foto: Francisca Sousa

Já Dona Lúcia é desempenada! espevitada, tem gosto de tomar a frente de uma roda de Lezeira, quando cai no mundo dizendo versos que aprendeu com seus ancestrais. Com ela, a Lezeira da Serrinha tem rodado os povoados da região, apresentando à população local uma dança de roda tipicamente piauiense, com origem afro-indígena.

Dona Lúcia: Cantadeira espevitada | Foto: Francisca Sousa

Por fim, Dona Belém é a esperança da continuidade da Lezeira em São Francisco do Piauí, pois se dedica de corpo e alma a esta brincadeira, seja dançando, cantando, dizendo versos ou organizando o povo para brincar.

O reconhecimento do Prêmio Jabuti dá ainda mais força para que a Lezeira se revitalize em São Francisco e em toda a região. Afinal, quando existe interesse nacional por uma expressão cultural regional, a tendência é que atividades sejam realizadas a todo momento. E isso faz com que os donos da brincadeira se sintam cada vez mais prestigiados e estimulados a continuar repassando seus saberes com prazer e alegria.

Dona Belém: a continuidade da Lezeira em suas mãos | Foto: Francisca Sousa

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