O bairro Rosário, em Oeiras, viveu um momento histórico nesta quarta-feira, 04 de fevereiro, ao realizar sua Assembleia de Auto Reconhecimento como Quilombo Urbano. O encontro aconteceu na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes locais, reafirmando a identidade, a memória e a resistência da comunidade negra do território.
A assembleia é resultado de um processo coletivo de mobilização, que já vinha sendo construído por meio de outras assembleias e reuniões setoriais de sensibilização comunitária, nas quais os moradores discutiram o significado do reconhecimento quilombola, seus direitos e a importância da valorização da história local.
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Durante o encontro, os participantes manifestaram apoio unânime ao auto reconhecimento, entendido como um passo fundamental para o fortalecimento da identidade cultural e para a luta por políticas públicas específicas.

Para a moradora da comunidade, Maria das Dores Silva, o momento representa mais do que um ato formal.
“Esse reconhecimento é sobre quem nós somos, sobre a nossa história e sobre a resistência dos nossos ancestrais. O bairro Rosário sempre foi um território negro, de luta e de fé, e hoje a gente afirma isso com orgulho”, destacou.
Já o presidente do grupo Congos de Oeiras e representante da comissão de mobilização, Flávio Antônio, ressaltou que o processo foi construído de forma participativa.
“Nada aconteceu de forma isolada. Foram muitas reuniões, conversas casa a casa e momentos de escuta. O auto reconhecimento nasce da vontade do povo do Rosário de preservar sua memória e garantir direitos para as futuras gerações”, afirmou.
O reconhecimento como quilombo urbano é um marco importante para o bairro, pois pode abrir caminhos para o acesso a políticas públicas voltadas à população quilombola, além de fortalecer ações de preservação cultural, educacional e social.

Segundo moradores, o bairro RosárioO bairro Rosário constitui-se historicamente como território de ocupação predominante da população negra e carrega uma forte ligação com a história de Oeiras, especialmente através da religiosidade, das tradições culturais e das relações comunitárias construídas ao longo de gerações.
“Esse momento nos fortalece enquanto comunidade e nos dá visibilidade. É uma conquista coletiva que vai impactar diretamente na autoestima do nosso povo”, completou o morador e articulador Fabrício Silvino.
Com a realização da assembleia, a comunidade do Rosário segue agora os próximos passos do processo de reconhecimento, reafirmando seu compromisso com a valorização da identidade quilombola urbana e com a luta por direitos, respeito e dignidade.

Redação|Folhadeoeiras


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