O empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto repercutiu na imprensa internacional nesta semana. A cobertura destacou a redução da distância entre os candidatos, a mobilização da esquerda nas ruas e nas redes sociais e o debate sobre temas como o fim da escala 6x1 e a redução da maioridade penal.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento PoderData/Aya divulgado nesta sexta-feira (16) apontou empate numérico, com 50% para cada candidato, e margem de erro de 1,8 ponto percentual.
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El País
O jornal espanhol El País destacou a recuperação de Lula na reta final da campanha, com a redução pela metade da vantagem de Flávio Bolsonaro no Datafolha. A reportagem descreveu uma eleição marcada pelo equilíbrio nas pesquisas e por uma batalha jurídica paralela entre as campanhas dos dois candidatos.
O veículo ressaltou que a esquerda promove uma mobilização sem precedentes desde domingo (11), quando apoiadores de Lula tomaram a avenida Paulista, em São Paulo, com um “mar vermelho”. Nos dias seguintes, os atos atraíram multidões no Rio de Janeiro e em outras cidades, enquanto a campanha digital ganhou força com a participação de jovens influenciadores progressistas.
O El País também chamou atenção para os anúncios recentes de Lula, como a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana e o PixMEI. Integrante do pacote Prospera MEI, o PixMEI prevê repasses de até R$ 5 mil, sem necessidade de devolução, para microempreendedores individuais comprarem equipamentos e investirem em melhorias nos próprios negócios.
A reportagem relacionou essas iniciativas à tentativa de recuperar terreno na campanha e destacou que Lula assumiu a responsabilidade pelo desempenho eleitoral em entrevista à TV Globo. O presidente reconheceu dificuldades para fazer a população compreender as realizações de seu governo e afirmou que não poderia atribuir a culpa a outras pessoas.
“Tudo é responsabilidade minha, não posso jogar a culpa em ninguém. Tenho clareza que o povo votou em mim com a cabeça em 2010”, afirmou Lula. Em outro momento, disse: “A situação hoje é adversa, passamos dois anos e meio tentando recuperar esse país. Eu acho que nós fizemos muita coisa, eu só lamento de não ter a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que fiz.”
O El País ressaltou que, além de acirrada, a eleição é marcada também por uma batalha jurídica paralela entre as campanhas. Essa disputa inclui o embate em torno do canal "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones no WhatsApp. Com mais de 4 milhões de seguidores, o canal foi alvo de decisões divergentes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme noticiou o SBT News.
Após suspensões e a formalização do canal pela campanha petista, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou sua reativação imediata na noite de quarta-feira (14). O ministro afastou a exigência de espera de 48 horas após o registro de endereços eletrônicos entre os dois turnos, mudança que ainda seria submetida ao plenário da Corte.
O El País destacou ainda a acusação da campanha de Lula de que falhas nas plataformas da Meta prejudicaram suas contas e favoreceram o adversário. A empresa, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, reconheceu problemas técnicos, mas negou favorecimento político e afirmou ter corrigido a falha que permitia gerar determinados materiais eleitorais em sua inteligência artificial.
Clarín
Na Argentina, o Clarín avaliou que a esquerda “parece ter acordado” após o primeiro turno, em meio à reação da campanha de Lula. Ao mesmo tempo, o jornal descreveu Flávio como um candidato que “não demonstra nenhum sinal de nervosismo em público” e se mantém confiante na vitória no segundo turno, depois de terminar a primeira votação à frente.
O veículo também repercutiu a reação do senador ao Datafolha. “Se o Datafolha me coloca na frente, vocês já sabem… isso significa que estou muito mais à frente do que parece”, declarou Flávio. Ao questionar o desempenho do instituto, o candidato afirmou que a pesquisa anterior ao primeiro turno o havia colocado sete pontos abaixo do resultado que obteve nas urnas.
ANSA
A agência italiana ANSA destacou que Lula “conseguiu ganhar terreno” contra Flávio e que, a nove dias do segundo turno, a disputa estava “totalmente em aberto”. A reportagem associou a recuperação do presidente à retomada de protagonismo nas redes sociais, à aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 e à mudança de posição sobre a redução da maioridade penal.
A ANSA observou ainda que as pesquisas desempenham papel central na reta final, mas recomendou cautela na leitura dos resultados. A agência lembrou que os principais institutos apontavam Lula na liderança antes do primeiro turno, embora o presidente tenha terminado atrás de Flávio, e apresentou esse histórico como um fator de incerteza para a votação de 25 de outubro.
Bloomberg
A Bloomberg destacou a segurança pública como um dos principais campos de disputa entre os candidatos. A agência lembrou que Flávio promete uma abordagem agressiva contra o crime, o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) responsável pelo processo que levou à condenação de seu pai e um "grande corte" de gastos, ainda com poucos detalhes sobre os planos fiscais.
Segundo a reportagem, uma proposta de reformulação da segurança pública integra a estratégia de Lula para reduzir a vantagem do adversário no tema e combater a percepção de que seria leniente com o crime. O projeto prevê maior cooperação entre forças federais e locais e penas mais severas para condenados por crimes relacionados a organizações criminosas.
A Bloomberg relatou que aliados de Flávio buscaram incluir a redução da maioridade penal na proposta para pressionar Lula. Na entrevista à Globo, o presidente passou a defender a responsabilização criminal a partir dos 16 anos para crimes hediondos. Flávio, por sua vez, sustenta que, nos casos mais graves, a idade deve ser reduzida para 14 anos.
Reuters
A Reuters destacou a redução da vantagem de Flávio no Datafolha: nos votos totais, o senador passou de 49% para 47%, enquanto Lula permaneceu com 45%. A agência assinalou que o resultado configura empate técnico e lembrou que o desempenho do senador no primeiro turno surpreendeu as pesquisas.


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