Conheci Martinho muito cedo. Desde a época da sua labuta no campo, no bar que montou e fechou, por não suportar ébrios cuspindo no seu ambiente. Na eleição que tio João Nunes perdeu para Valdemar Freitas, elegeu-se vereador do município de Oeiras. Presenciei acalorados debates, no espaço reservado à Câmara, na antiga prefeitura situada na Praça Costa Alvarenga. Martinho era sempre muito sereno, lúcido e seguro em suas afirmações.
Em 1993, quando também me elegi vereador, pude conviver mais de perto com ele por intensos 04 anos. Foi um tempo de muito aprendizado. Certa vez, ao encontrá-lo no gabinete da presidência da Câmara, disse-me que os maiores problemas que enfrentamos na vida são sempre os caseiros. Isso é verdade, ele tinha razão! Desde quando iniciei o meu mandato de vereador, nunca mais me distanciei de Martinho. Sempre que ia a Oeiras, era certo encontrá-lo na calçada de sua casa para uma prosa agradável, mesmo se tratando de um homem de poucas palavras. Educou, formou filhos e também sofreu a dor maior de um pai ao perder dois deles precocemente.
A partida do Martinho, para o encontro com o pai celestial, deixa um vazio para toda cidade, especialmente para a família e amigos. Amigo como eu, que não o encontrará mais na sua calçada, olhando para a bela paisagem do café Oeiras, coreto e cine teatro. Doravante terei de me acostumar sem as suas lições. Saudades Martinho.
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Redação|Folhadeoeiras
Emanuel Vital


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