Com pouco mais de 9.000 habitantes, divide com as vizinhas Queimada Nova (PI), Lagoa do Barro do Piauí (PI) e Casa Nova (BA) 103 torres eólicas do parques Oitis, da espanhola Neoenergia, e 372 projetados para o parque Lagoa dos Ventos, da italiana Enel, o maior da América Latina.
Com uma área equivalente a 2,5 vezes o município de São Paulo, é a terceira cidade brasileira com maior capacidade de geração de energia pelo vento e, considerando projetos planejados, disputa com as baianas Sento Sé e Morro do Chapéu o topo da lista entre as mais atrativas para o setor.
A chegada dos empreendimentos impulsionou a economia local, antes focada na pequena produção agropecuária. Mas trouxe também uma sensação de frustração depois da partida dos trabalhadores forasteiros, um desafio comum para as regiões propícias à geração renovável no país.
Após o início das obras, o PIB do município e a arrecadação da prefeitura mais do que dobraram. O número de empregos formais cresceu na mesma proporção, mas passou a recuar no início da década, com o início da desmobilização das construções.
O movimento de trabalhadores impulsionou os negócios, com grande crescimento no número de estabelecimentos comerciais. Otávio da Mata Almeida, 46, por exemplo, colocou R$ 300 mil em uma pousada com dez quartos e, depois, outros R$ 950 mil para modernizar e dobrar a capacidade.
O secretário de administração da prefeitura, Valney Sousa, diz que o ganho de arrecadação com ISS (Imposto Sobre Serviços) durante as obras vem sendo investido em pavimentação, melhoria das estradas, perfuração de poços artesianos, educação e compra de equipamentos hospitalares. "A prefeitura fez com que esses recursos circulassem no município", afirma.
O aumento na arrecadação municipal, em uma cidade onde o emprego depende da prefeitura --apenas 9,85% da população era ocupada em 2021, segundo o IBGE-- faz de Dom Inocêncio um dos municípios com maior rendimento do trabalho formal no estado, com 2,8 salários mínimos, em média.
Alguns dos produtores rurais foram beneficiados com arrendamentos de áreas para a instalação dos parques e vias de acesso, que ocupam o alto das serras a leste do município. A Enel paga arrendamentos por 490 terrenos em Dom Inocêncio e cidades vizinhas. A Neoenergia, por outros 55.
Com a expansão das energias eólica e solar, a capacidade de geração do Piauí praticamente triplicou desde 2017, chegando a 5,7 GW (gigawatts) em fevereiro, segundo a Aneel.
Enel afirma que empregou diretamente mais de 7.000 pessoas nas obras, com efeito sobre outros 3.000 empregos indiretos. Afirma ainda ter desenvolvido mais de 154 projetos nos municípios da área de influência da planta.
A Enel e Neoenergia dizem que ofertaram cursos de qualificação de mão de obra local e desenvolveram projetos sociais para capacitar moradores em outras atividades.
Com informações do Folha de São Paulo


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