Receber notificações
  Facebook
  RSS
  Whatsapp

Médico Drauzio Varella é adepto da IA na medicina e explica como utiliza

Ele comparou o processo atual com o trabalho que antes exigia a consulta manual de artigos e referências.

Foto: Cidadeverde.com

 Foto: Cidadeverde.com

O médico Drauzio Varella defendeu o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à prática médica. Segundo ele, a tecnologia pode reduzir o tempo gasto por profissionais na busca e análise de informações científicas, mas não deve substituir a decisão do médico ou ser utilizada diretamente pelos pacientes para definir tratamentos.

Drauzio explicou que utiliza a inteligência artificial para reunir informações sobre casos clínicos e consultar evidências disponíveis na literatura médica.

+SIGA O FOLHADEOEIRAS NO FACEBOOK

+SIGA O FOLHADEOEIRAS NO INSTAGRAM

+SIGA O FOLHADEOEIRAS NO YOUTUBE

“Eu coloco o caso de um paciente com todos os detalhes que eu possa. Ele me dá todas as evidências baseadas nas revistas de primeira linha. O The New England, o British Medical Journal, o JAMA, me dá todas as evidências. E, no fim, ele discute de que maneira eu devo aplicar para esse caso em particular. Ele não dá a receita, não. Eu que vou decidir, claro”, afirmou.

Para Drauzio, uma das mudanças positivas provocadas pela IA foi a velocidade de acesso à literatura científica. Ele comparou o processo atual com o trabalho que antes exigia a consulta manual de artigos e referências.

“Você está checando a literatura, vendo um artigo, olhando a referência, indo buscar. Ela (IA) te traz pronto isso. Olha que avanço! Em uma época em que foram abertas muitas faculdades de medicina pelo país inteiro, sem condições, sem hospitais adequados, sem nada. Isso pode ser a salvação de você estabelecer esses critérios, que as pessoas vão usando na hora de tomar decisões. Mas, não para substituir o médico, claro que não”, disse.

Em sua palestra no Afya Summit, realizado no último sábado (29) no Auditório do Ibirapuera em São Paulo, o médico também alertou para o risco de pessoas utilizarem ferramentas de inteligência artificial para decidirem sozinhas, como tratar problemas de saúde.

“Quem usar a inteligência artificial para se tratar, vai se dar mal. O médico vai ser sempre necessário. E isso vai permanecer de uma forma cada vez mais importante na medida que justamente a tecnologia é impessoal”, declarou.

Foto: Cidadeverde.com

draziovarella-_2.jpg

Medicina ciência e arte

Ele explica que essa impessoalidade se contrapõe à arte da medicina, pois ela envolve conhecimento científico, mas também arte para adaptar esse conhecimento às características de cada pessoa. 

“Porque a medicina, a gente diz, que é uma ciência e é uma arte. O que é a arte da medicina? A arte da medicina é você conhece a teoria. E você usa essa teoria para adaptar o tratamento àquela pessoa. Porque o tratamento que eu faço para uma pessoa não serve para a outra”, destaca afirmando que isso mantém o médico no centro da assistência, mesmo com o avanço das tecnologias.

Com mais de 50 anos de profissão, Varella foi um dos convidados do evento que reuniu médicos e estudantes de medicina de todo o país e discutiu o uso da inteligência artificial na medicina. 

Humanização com a tecnologia 

Para o presidente do Instituto Afya, o médico radiologista Gustavo Meirelles, o uso da inteligência artificial na medicina deve ser acompanhado pela formação de profissionais capazes de analisar informações, raciocinar e tomar decisões clínicas. A avaliação foi feita durante o evento, em uma discussão sobre o futuro da saúde e o impacto das novas tecnologias na prática médica.

Foto: Cidadeverde.com

gustavo-meirelles.jpeg

Segundo o médico, a inteligência artificial já está sendo incorporada à formação de estudantes de Medicina e ao atendimento em consultórios. Para ele, a tecnologia deve funcionar como suporte à tomada de decisão, sem retirar do profissional a responsabilidade pelo raciocínio clínico.

“Eu não posso não incorporar a IA, porque aí eu tenho um atraso tecnológico e uma divisão digital e se eu deixo os alunos sem isso. Não é nem que eu vou deixar fora, eles vão buscar isso por conta própria. Mas, ao mesmo tempo, eu não posso incorporar isso de forma acelerada e atropelada, porque eu tiro o principal ponto que eu preciso ensinar, que é aprender a pensar, a raciocinar, a ter juízo crítico e a fazer diagnósticos diferenciados. Então, ele tem que estar aqui na palma da mão para ser um apoio à minha tomada de decisão”, afirmou.

Mais de Geral